Conversa que reúne travesti e autora do livro autobiográfico 'E Se Eu Fosse Puta', junto com a doutora Arilda Ribeiro, ocorre nesta quinta (5), às 19h30
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| Amara Moira | FOTO: Caroline Lima |
“Uma puta autora”. Poderia
ser apenas um advérbio de intensidade para descrever Amara Moira, mas é a
definição literal da travesti, prostituta e autora do livro autobiográfico “E
Se eu Fosse Puta”, que participa no Sesc
Thermas de Presidente Prudente do bate-papo Discussão de Gênero e Sexualidade nas Escolas, nesta quinta-feira
(5).
A conversa, com início
às 19h30, também conta com a presença de Arilda Ines Ribeiro, doutora em
História da Educação pela Unicamp, professora de pós-graduação em Educação da
Unesp e criadora do grupo NUDISE – Núcleo de Diversidade Sexual na Educação.
Tudo com mediação da mulher transexual Walleria Sury, fundadora do Grupo SOMOS
LGBT, em Presidente Prudente (SP).
Além de escritora,
Amara Moira é doutora em teoria e crítica literária, pela Unicamp. Ela foi a
primeira pessoa transgênero na instituição a defender um doutorado usando o
nome social, de acordo com a própria Unicamp. No encontro, as convidadas falam
sobre a importância da discussão de gênero nas escolas, além das formas de
abordagem e as barreiras existentes para a viabilização do debate.
Para Amara, falta apoio
para que ocorra a discussão sobre gêneros nas escolas, mesmo diante de uma
pesquisa realizada em 2017, pelo Ibope, apontando que 84% dos brasileiros
concordam totalmente ou em parte que os professores discutam sobre a igualdade
entre os sexos com os alunos.
“Até desconfio dessa
estimativa, uma vez que estão sendo criadas cada vez mais frentes para
inviabilizar esse debate nas escolas e, junto com isso, manter esse espaço como
um espaço de segregação, de reprodução de violência contra grupos oprimidos”,
explica.
Para a escritora, o que
pode explicar o dado de que o Brasil é o país líder em assassinatos a pessoas
LGBT é a cultura de sua sociedade. “Nossa simples existência é entendida como
uma ameaça por parte de uma sociedade que se acostumou às formas que lhe foram
impostas, ao jeito “certo” ser homem e mulher, às maneiras aceitáveis de viver
o afeto. É algo que se percebe, por exemplo, quando nos damos conta que criamos
nossos filhos não apenas para serem heterossexuais, como também para terem medo
de sequer imaginar outra coisa”, argumenta.
Ela ainda conta como
nasceu a ideia de escrever um livro, com suas experiências como prostituta, e
fala sobre seu processo de produção. “Fala-se de prostitutas desde o começo dos
tempos, mas curiosamente é raro encontrar algum livro em que sejamos nós mesmas
quem escreve a narrativa. Quando comecei minha transição, há quatro anos,
estava apavorada com a ideia de ter que abrir mão da vida que eu vinha
construindo e precisar virar prostituta, mas à medida que eu conhecia as
pessoas que me precederam, que lutaram todos esses anos para que hoje eu
pudesse me assumir Amara, comecei a olhar com outros olhos para a
prostituição”, esclarece.
O passo determinante
para a ideia do livro ser colocada em prática, primeiro, foi dado na internet.
“Comecei então um blog onde eu contava os meus primeiros passos na rua, as
minhas experiências e perspectivas, convidando as pessoas a verem o mundo pelos
nossos olhos. Depois de quase dois anos, com a visibilidade que o blog
conseguiu, acabou surgindo um convite para publicá-lo e, de maneira inesperada,
acabei descobrindo que a prostituição me fez virar a escritora que eu sempre
sonhei ser”, comemora.
A atividade integra a
programação da Semana da Diversidade LGBT, realizada pelo grupo Somos LGBT de
Presidente Prudente, com apoio cultural do Sesc São Paulo. De 1 a 8 de julho, o
evento promove diversas atividades que colocam em pauta a tolerância e o
respeito entre as diferenças sexuais e de gênero. O objetivo é estabelecer a
empatia e estimular o exercício da cidadania por meio de espetáculos, oficinas,
palestras e debates.
MÚSICA
Ao final da programação
da Semana da Diversidade, no sábado (7), o Sesc Thermas recebe uma banda que
traz temas contundentes e letras intensas – características de rock. Com
músicas que se apresentam como um grito de força, a banda Mulamba sobe ao palco da Área de Convivência a partir das 18h.
Formada por Amanda
Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Fer Koppe
(violoncelo), Naíra Debértolis (baixo) e Nat Fragoso (guitarra), o grupo nasceu
em dezembro de 2015, com a proposta inicial de fazer um tributo a Cássia Eller.
Com o clipe de “P.U.T.A.”, música autoral, alcançou mais de 700 mil
visualizações e 15 mil compartilhamentos.
SERVIÇO
SEMANA
DA DIVERSIDADE LGBT
Bate-Papo
– Discussão de Gênero e Sexualidade nas Escolas
Com
a travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp,
Amara Moira, de São Paulo (SP), e com a doutora em História da Educação pela
Unicamp e criadora do grupo NUDISE – Núcleo de Diversidade Sexual na Educação,
Arilda Ines Ribeiro, de Campinas (SP). Mediação de Walleria Sury, fundadora do
grupo Somos LGBT.
Dia 5 de julho,
quinta-feira, às 19h30.
Na Área de Convivência do Sesc
Thermas.
Grátis. Classificação indicativa:
16 anos.
Show
– Mulamba
Dia 7 de julho, sábado,
às 18h.
Na Área de Convivência do Sesc
Thermas.
Grátis. Classificação indicativa:
16 anos.
AI









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